Compreensão

Trinta e cinco milhões de evangélicos. Esse é o dado do último censo realizado no Brasil.
A pergunta, no entanto, é: Quantos desses trinta e cinco milhões, de fato, já compreenderam o Evangelho de Jesus?
Porque compreender o Evangelho me leva a viver de um modo diferente. E quando digo diferente, não estou me referindo ao "diferente", normalmente, utilizado para dizer que a pessoa não fuma, não frequenta alguns lugares, não assiste determinados filmes, não fala palavrões ou que passou a frequentar os cultos de uma igreja cristã, algumas vezes por semana.
Não é sobre esse diferente que estou falando. Porque se esse fosse o diferente, seria superficial demais, cosmético demais, paliativo demais. Seria, como se diz "só para inglês ver". Esse diferente, até a educação e o bom senso podem produzir.
Eu conheço várias pessoas que não se consideram cristãs e que não fumam, não falam palavrões, não gostam de alguns filmes, não vão a certos lugares - não por uma questão de fé; mas, simplesmente, porque não gostam, não concordam ou porque sabem que não vai fazer bem à saúde e coisas assim.
Só que o diferente que eu estou falando é aquele onde o coração se torna mais compassivo, mais misericordioso, mais bondoso, mais limpo, mais verdadeiro, mais tolerante, mais caridoso, mais sensato, mais sábio, mais consciente, mais em paz, mais humilde, mais servo, mais voluntário, mais parecido com Jesus.
Se eu acho que compreendi o Evangelho, mas continuo preconceituoso, orgulhoso e insensível à dor do meu próximo; eu estou, completamente, enganado. Se eu acho que creio no Evangelho, mas eu não me compadeço, nem mesmo, de um familiar que está sofrendo com depressão ou ansiedade, eu estou, completamente, iludido. Se eu acho que eu conheci o Evangelho, e eu, nem mesmo, trato com misericórdia quem está sofrendo por causa de uma enfermidade; nem humano eu estou sendo, quanto mais cristão.

O fato é que conhecer o Evangelho de Jesus é mergulhar na graça de Deus. Sem esse mergulho não existe Evangelho e nem compreensão dele. Pode haver cultura bíblica, conhecimento teológico, aparência de piedade; mas não há vida de Deus.
Que pena ver que o Evangelho foi transformado em uma simples doutrina a ser estudada. Que pena que há tanta gente que conhece a Bíblia, mas não reflete Jesus em sua vida. Que pena que as pessoas conseguem se considerar cristãs, mas não vêem que o alvo de tudo é ser como Jesus, amar a Deus e ao semelhante.

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